BRASIL - Um certo navegante

12/04/2017

O oceano extraordinário gritou por Cabral e uma jornada entremeada de assombro e fé se iniciou.  A coragem  nascia para ser consagrada para além das praias lusitanas. Portugal escondia mistérios e também certezas em sua vocação para o mar.

Quanto ao navegante, dos seus sonhos, o último se inspirava no abismo das estrelas.  E mesmo estas atormentadas pela escuridão insondável, mostravam caminhos  preciosos.  Mas quando nada disso o direcionou e a vida se fez maior, navegou no ato preciso da Língua Portuguesa.

As sereias cantavam em uníssono lamúrias e medos. Tempestades, lágrimas e mar se juntaram no fulgor rarefeito de uma lua minguante, enquanto a Constelação do Cruzeiro estendia suas asas e a solidão do sul. Dessa forma, algo já  se revelava entre a glória e o sofrimento que marcaria a história de um povo.

Sobre as praias ocidentais, o horizonte antigo do mundo tomava fôlego contra um gigante adormecido e um tanto esquecido do tempo e da história. No passado houve uma calmaria, dizem! E isso foi lamentável... e... providencial ao descobrimento. Noutra versão, aponta este momento como aquele em que a lei foi amarrada ao mastro de um navio pirata. Na verdade,  ninguém sabe ao certo!

Hoje a brisa sopra indistinta sobre a fronte de milhões na nova terra. É fato que os ventos do espírito são avassaladores e de natureza dúbia, mas suportá-los nas faces é uma obrigação que urge para todos os filhos da terra.

Caravelas chegaram, contudo, parece que a dignidade prestou honra apenas aos mortos e ao ouro da madeira. Contudo, entre os escândalos e a desumanidade o hino procurou o futuro.

Quem esteve a caminho desconhecia as regras de uma nobre aventura, exigia-se para tal um fascínio que não era nem força nem candura, nem glória nem vício, era o domínio dos ânimos obtusos e exaltação dos sonhos de altivos espíritos...

Ainda assim, por qualquer mar, sob qualquer vento, em qualquer luz e para qualquer terra somos nossos destinos.

Carlos França