en-Experiências - Quando dormen as feiticeiras

15/03/2017


Sombras se desprenderam vagarosas do âmago da floresta quando o fogo lançou a sua luz imoderada.

Corremos para o centro de nosso círculo consagrado e iluminado, intransponível aos seres ocultos, mas não a impiedade dos vivos.

O sagrado nos tocara com mansidão e nos despojara da assanha moral da sociedade, abjeta à terceira visão.

Um vento soprava com frescor alcantilado, movendo rapidamente o outono para os braços do inverno e as saudades para as trevas de nossas lembranças.

A intemporalidade julgava-nos únicas, já o covil humano, rés de uma existência escandalosa.

Contudo, a fonte de inteligência incorruptível domava nossa fome pela vida e nosso desrespeito pela morte, multiplicando nossas experiências para além da reputação do mundo.

Carlos França