Clarice Lispector - Um pensamento

06/03/2017

Nunca me aproximei de Clarice como deveria, talvez nem mesmo a busquei no ovo primordial das demandas existenciais. Compreendi bem cedo que da sua força literária sou um conhecedor desconfiado e um usuário autista.

Também sempre andei distraído, pois tudo oferece distração a um espírito inquieto e antigo. Distração esta que alicerça poesias e move sensibilidades em direção ao sol oculto de uma estética de sabor transcendente.

Em minhas páginas brancas da vida, entendi que isso me aproximava mais do artístico. Contudo, não ofertei em momentos decisivos encontrar Clarice, talvez por um comodismo estético ou uma diáspora das minhas letras rudes, ainda que elegante e sublime fosse a realidade poética que me via envolvido.

De tudo, senti os prováveis mundos como pedaços de alma, numa espécie de quântica dos sentidos que se elevam da matéria míope. Não importa, posso afirmar uma coisa: amo-a de um jeito irreverente e livre, nesse tempo profundo dos poetas e na completa inexistência de laços que nos uniram nesse visível mundo.

Carlos França