Gnomo

27/03/2017

Tomai, tomai vossos ares e escrúpulos; vossos caprichosos cadernos de anotações para que a memória seja visitada diversas vezes. Vim de uma época passada e cheguei ser rei da brisa olorosa do dia.

O raio do sol patrocinou toda minha riqueza, mas sou filho mestiço da lua. A mais bela lua cheia das estações. Dizem que isto chega ser uma vantagem.

Não sei bem, não procurei investigar. O fato é que o manto voraz da mortalidade dispensa-me de suas obrigações imediatas.

Falo a língua das fadas, e no mundo dos homens sou um intruso irrequieto. Então, onde me encontrar? Sempre saltitante entre um olhar e outro. Claro, acusam-me de estar sempre escondido.

Não é verdade! O que faço é descansar na superfície rutilante do gesto verdadeiro. E saibam: ainda que parcialmente imortal, minha função não é fazer milagres, mas apreciá-los.

O meu predileto é ver o sol nascer todos os dias.

Carlos França