Lembranças de Urtra

19/02/2017

"Na névoa densa, os lobos moviam-se em direção ao vale profundo, despertando nossos sentidos humanos, ainda que insuficientes diante do dejúrio dos anjos.

Nossos corações selvagens atraiam os poderes do mundo, mas as potências da Deusa velavam por nossos espíritos andarilhos, quando justamente clamávamos por uma verdade que não fosse sobra, que não fosse a língua dejeta da ignorância, repetindo breviários da hipocrisia ou ações espúrias nos calabouços da crença, ou pior, o fascínio que muitos têm pela mediocridade.

No sono intranqüilo da existência, o amor paira imenso e inoculável sobre vastidões imperfeitas. Que ele caia não pelo verbo, não pela palavra, não pela letra, mas coalhe em nossos olhares e se dissolva na têmpera da sublimidade, uma loucura: o amor a tudo."

(O CULTO DO LOBO Carlos França)