O Druida

01/06/2017


Seu rosto se revelou na superfície lasciva da prece a tentativa humana e metafísica de união. Do que nos separa, a única sombra é a da luz do dia, uma mércia que nos furta da dança das fadas.

O vento dos seus cabelos espalha o vergel precioso dos acontecimentos vindouros, embora nada fosse revelado ao druida ou da doutrina pelos hábitos da Deusa.

Nunca trilharia um caminho que nas suas entranhas resultasse em ferida ausente ou num temor não enfrentado, pois é apenas salutar a força despertada com a luta da própria jornada.

Tememos as trevas quando a luz se faz nosso todo íntimo, assim, tememos a luz.

Nos séculos cegos, versos de poder habitaram o lugar abaixo dos sinos uma circunstancia humana. Não raro, versavam a insensatez como doutrina e a intolerância como pira batismal.

No âmago da floresta, a coruja desperta para a velha religião o incidente intimo, a cerimônia secreta, a voz que não se separa da canção da verdade.

Dorme o silêncio sobre a frágil brisa que penetra a noite, porém amanhã será diferente, pois fogueiras se ascenderão com o vigor de muitos olhares que flutuam sobre os festejos de Beltane.

Carlos França

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