Signo Escorpião

24/10/2017

O escorpião com seu grande poder transformador vive no oceano de suas emoções, testando os limites humanos da paixão. Suas águas são profundas e impenetráveis. E só quem sabe disso, não se espantem, ele mesmo. Nas lutas intensas que travam dentro de si próprios geram a força da regeneração, do nascer de novo. De um lado, a luz aí surge mais intensa por seu valor penetrar a eternidade, e de outro, por afastar a mais sólida escuridão. É dado ao nativo desse signo chegar mais fundo, levar a luz onde nenhum outro seria capaz.

"Depressa, depressa o que dizem daqueles lábios de mulher mitiga o cansaço e a loucura do desejo. A comunhão de duas bocas dita um valor e um fascínio, porém para o visitante simples ou de poucos recursos espirituais há sempre o perigo de ser transformado num mármore friável e vil. Já que a experiência do êxtase na forma divina só se completa na chama do amor. "

O escorpião movendo-se na poeira cósmica de uma massa escura e luminosa, oculta seu interior vulcânico de paixões. Embora, na forja abissal de suas entranhas se revele o céu alquímico e transformador de tudo. E de suas metades, o sexo e a morte, nasça a flor nua e púrpura da vida: o desejo.

"Acaso a luz cumpre sua promessa em função de alguma vontade mortal?" , exaspera escorpião. Façamos um trato diante do fogo e de suas razões, queimemos nossas próprias dúvidas e falhas para sermos menos dependentes e mais atuantes. E lembremo-nos: escrúpulos demasiados detém o processo criativo, e, por vezes, a realização se perde no deserto híbrido de gelo e de fogo da estagnação.

Então no chão de tudo que há nesse mundo, caos, ordem, fúria e beleza, o escorpião passa incólume para anunciar, por vezes de modo estranho, a redenção e o renascimento. Mas aqui somente para os que tocaram o âmago de sua própria existência. E ali diz sem hesitção, emoção, interesse ou disfarce: "Qualquer morte não existe, é apenas mudança, transformação! Mas nunca se esqueça: o seu desejo é o raio que liga o céu e a terra, uma força de toda natureza".

Carlos França