Van Gogh

01/04/2017

A cor que lá está, imatura aos olhos da carne, não alimenta o coração de quem a vê. Então, espera a cor na lentidão das noites sem lua, amanhecer, correr pela tela do pintor e ser da imagem nascida sua alma errante e nua.

Na deriva, como um barco, ficam as palavras tortas que enlutam os verdadeiros sentimentos; não podem felizmente verter aos mesmos desígnios a estas outras transfiguradas em cores, em tons soltos e desgarrados de brilho, marca e arte de um tempo.

Na tela, a primeira pincelada tristemente espera a última, mas sua espera por singela ou indiscreta, esconde o veio formoso que a supera, e a supera em muito.

A expressão na tela ascende a vida para onde a vida não tem o fim que o começo enseja ou encerra, é manifestação pura de um dimensão que não sabemos no hoje, perdemos no ontem e criaremos tontos no amanhã, desesperados por algo mais que contente nossa "ex-existência".

Carlos França