Irmã Dulce

18/10/2019


Desde que eu era pequeno, ouvi esse nome, Irmã Dulce. Era como uma luz no mundo de dedicação e amor. Um exemplo  perpétuo a ser visitado e seguido. Uma lição de vida. Irmã Dulce veio certamente como uma espécie de sol, nascia para todos, sem distinção. Sim, sem distinção, essa capacidade que a luz tem de tocar a tudo e a todos, e mesmo a escuridão. Ou simplesmente o diferente, o dessemelhante, e ainda assim, acolher com as mãos oferecidas ao outro sofrido, ao outro caído, carente. Gesto simples, poderoso. Que tantas vidas tocou e transformou. E nela parecia ser plena essa atitude e disposição. Mas ia além, pois ela gerava inspiração e esperança com relação a virtudes tão escassas. O verbo que virou ação. E ação pelos mais necessitados.

Um nome singelo que foi crescendo com o tempo. De certa forma, se tornou um símbolo de ajuda e abnegação, de pessoa boa, caridosa e sensível. Mas seus contornos se fortaleceram no passar dos anos para força e trabalho, muito trabalho. O nome Dulce significa doce, afável, gentil. Mas certamente a pessoa que vestiu esse nome era muito mais. Fez milagres. No pó e na terra, entre homens, com sua sabedoria simples. Ajudar. Ajudar de novo. E mais uma vez. Ajudar até o infinito se compadecer. E mesmo se ele não se compadecesse. Ajudar. Não importava. Nada importava. Não diante dos olhos de um necessitado.

Não havia como não ter um carinho pela aquela senhorinha com vestes de freira, tão singular, na sua lida diária, revolvendo a esperança dentro de si, multiplicando-a, e a distribuindo em seu caminhar missionário. Uma heroína do mundo real.

Nesses dias, tivemos uma notícia das mais auspiciosas, sobre a sua canonização, como a primeira santa do Brasil. E claro, independentemente, da crença manifesta de cada um ou a espiritualidade que professamos, havia ali um ser humano extraordinário, que soube embelezar o caminho da caridade com a mais distinta veste da própria caridade, o amor em ação. E o fato dela ter chegado ao ponto mais alto dentro da sua fé, é algo que traz uma imensa alegria. Divino e maravilhoso, por assim dizer. É um reconhecimento e uma verdade na esfera do bem. Na minha opinião, nem se trata de um merecer, mas de ser. A primeira santa do Brasil. Sempre foi uma santa da Bahia.

Carlos Costa França

Escritor e psicólogo