PSICOLOGIA

27/08/2018


Na têmpera suave da palavra verbalizada no vazio que abraça o cansaço da vida, navega um coração que ama o infinito segredo de si mesmo.

Na tentativa de fugir do desconhecido e de seus vários íntimos, alguns malditos, entrega-se, sem saber, foragido na vertigem de seu destino.

Então, clandestino numa consciência vã e perdida, lança-se sozinho numa aventura sem fim, isto por não saber que o único capricho da existência é justamente amadurecer, sobretudo amadurecer com os espinhos.

O mergulho no lago profundo do existir dilui a escuridão da noite quando o medo foi uma experiência da infância, impura e sábia ao mesmo tempo.

Não há como falar de verdades que cada um defende. No entanto, é possível reconhecer o valor da vivência e da espiral de cura que vive do esforço e de entregas pessoais.

Existem passos acidentais, mas é o intenso trabalho entre os mundos consciente e inconsciente que faz gotejar o beijo da esperança e nos oferece a solidez do caminho.

Não há dúvida, o simples andar ainda constitua uma grande vantagem sobre aqueles que se encontram parados, fixados em totens culturais ou crenças pessoais improdutivas.

Talvez necessitemos da juventude interna, perpétua que venha a nos reconciliar com o imprevisível e o entusiasmo da vida. Por outro lado, também buscar o velho sábio, aquela parte que ignoramos de nós mesmos, para nos fortalecer como criaturas do tempo.

Vibra em sombras tão intensas e contínuas que a luz vasculha as feridas em busca de significados e curativos. Assim, velhas sortes podem morrer para germinar uma nova vida, contanto que se afastem as terríveis ilusões do caminho.

O Universo é pontilhado de massa radioativa de luz; de uma lágrima de sol beirando as fronteiras do que existe. Mas o que existe dentro de cada um é ainda mais inconcebível, mesmo diante de toda maravilha extraordinária do do universo.



(Carlos França)