Quem é Amira?

21/07/2018

Assistindo a um desses programas de talentos na televisão, que fora produzido e exibido na Holanda, apareceu uma jovem mocinha que corajosamente resolveu cantar uma ópera. Esse fato em nada me chamou atenção, mas ao anunciar seu nome, fiquei um tanto impactado.

Quem é Amira? Eu conheço Amira, esse nome não me é estranho. Ele está dentro de mim. Não é um nome comum, ele é de outro tempo.

Então minha mulher que estava ao meu lado disse prontamente, é o nome de sua personagem em Caravana da Alma. "Está esquecido?"

E fui obrigado a responder:

"Não sei dizer o que houve, mas é como se estivesse tão dentro que desapareceu no próprio deserto da memória. Mas não só isso, nunca havia visto este nome em lugar nenhum, aí deu uma espécie de curto-circuito estranho, como se apenas me pertencesse e a ninguém mais. E me pertencesse até para ser esquecido, por mim e pelo personagem."

Então me veio:

Amira é como uma flecha contra o sol, que apenas castiga os olhos de quem nunca teve um amor realizado, mas é também um bálsamo da vontade testada no mundo, quando no oásis da alma somos apenas nós mesmos.

É a travessia no frio do deserto à noite, mas que aquece o coração de um aventureiro honrado, ainda que solitário e perdido no deserto dos outros e do mundo.

Ela é o pássaro de rapina que nunca dorme na mente dos obstinados, mas um dia marcará o homem a ser acariciado pelo vendo norte, destinando-o a um amor abençoado.

É a tempestade de areia dentro do peito dos que se arriscam a viver seus sonhos. Estas são areias do tempo que devoram os instantes e flagelam tudo ao redor, mas que leva ao único caminho que tem coração.

Amira é uma ilusão e miragem para os impacientes e desesperados, uma faísca perdida da fogueira dos homens do deserto para os preguiçosos, um pó atirado no abismo para os que não têm valor, porém é o som do vento que chama por nossos nomes sagrados no meio da mais longa e cansativa travessia, e ali nos instigando a continuar e a irmos muito além do que sonhamos um dia, do que amamos um dia.

Um dos trechos de Caravana da Alma

Hakim estava em agonia. A cabeça fervilhava, todo tipo de indagação surgia e o atormentava ainda mais.

"Ai de mim! Neste momento, devo me ater ao que me reserva o destino. Não posso desviar-me do que é mais importante para minha vida. Há muita cosia em jogo, uma em especial, a bela Amira. Ela sonha, e seus sonhos penetram minha alma, gritam através do meu coração a canção da jornada do amor. Entretanto, por hora, vejo-me vagar contra uma tempestade de areia, expondo-me a tremendas forças que não sei aonde me levarão. Estou triste com o que ocorre e pouca são as esperanças do que tenho desejado. Devo me conter, é essa a única verdade que posso saborear. Espere! Isso parece não alterar em nada o que sinto, pois as asas ígneas do amor ainda me conduzem até a minha amada. Sim, sim, mas nada é certo ou real ainda, não devo me enganar. Ai de mim, o que realmente se realizará quanto a isso?"

Carlos França